A Melhor Lei de Economia A:
Lei de Engel
Ernst Engel (1821-96) foi um economista alemão que revolucionou o estudo económico e estatístico. Tanto que a lei que criou perdura em todos os livros de Economia A da atualidade, em Portugal.
Mas quem foi Ernst Engel? O que estudava em concreto? Como chegou à conclusão que chegou? Que conceitos económicos estão por detrás desta descoberta? Que aplicações práticas tem a sua lei? E, mais importante, o que é que eu tenho de saber sobre esta lei para o Exame Nacional?
O Estudo. A Descoberta.
Em meados do século XIX, Ernst Engel decidiu investigar as despesas das Famílias com o consumo de bens e serviços. Assim, escolheu estudar a estrutura de consumo de 199 famílias belgas, ou melhor, a forma como estes agregados familiares gastavam o rendimento que conquistavam. Simples. Bastava observar em que grupo de despesas de consumo é que as famílias gastavam mais e menos dinheiro. Seria no vestuário? No lazer? Em cultura? Em despesas de saúde?
Ora, durante a realização do seu estudo, o economista reparou que havia uma correlação entre o rendimento das famílias e as suas despesas em alimentação, ou, para ser mais concreto, o peso que as suas despesas em alimentação tinham sobre o conjunto de despesas de consumo. Que relação seria esta?
Para a descobrirmos, devemos ter um especial cuidado em discernir as despesas de alimentação, medidas em unidades monetárias, e o peso destas no conjunto de despesas de consumo, ou melhor, a quantidade (em percentagem) do total das despesas de consumo que é feita somente em alimentação.
As Despesas em Alimentação
A alimentação é uma necessidade. Aliás, é, como já estudaste, uma necessidade primária – fulcral para a sobrevivência do Homem. Assim, uma parte das despesas familiares tem de ser alocada à comida. Até aqui, tudo bem.
Pensemos, agora, sobre o consumo de alimentos de acordo com o nível de rendimentos de cada um. Uma pessoa com menos recursos monetários não tem de comer necessariamente menos que uma pessoa com mais recursos monetários. Embora seja importante salvaguardar que a quantidade e o tipo de consumos entre estas duas classes de consumidores é diferente (ora, as famílias mais ricas costumam comprar mais alimentos, porque têm essa capacidade, e substituir o consumo de alimentos mais simples com alimentos mais complexos, elaborados ou prestigiados, que aumentam as suas despesas), o dinheiro gasto em consumo de bens alimentares não sofre grandes assimetrias entre as pessoas com mais e menos rendimentos.
A relação entre os rendimentos e as despesas alimentares
Assim, à medida que os rendimentos das famílias aumentam, estas vão aumentar as despesas em alimentação, nem que seja pela simples alteração dos alimentos que adquirem (de alimento baratos para alimentos mais caros). Contudo, este aumento não acompanha o crescimento dos rendimentos, portanto, o peso das despesas de alimentação no total das despesas diminui.
Daqui nasce a Lei de Engel:

Quanto mais baixo for o rendimento de uma família, mais elevada é a percentagem que as despesas de consumo em alimentação representam em relação ao total das despesas de consumo dessa família.
– Lei de Engel
Ernst Engel
Nota: Lembra-te que o coeficiente orçamental é a percentagem que se obtém dividindo as despesas de consumo de uma determinada rubrica pelo valor total das despesas de consumo.
Um dos fascínios que tenho por esta lei é a sua utilidade. Não só podemos usá-la para analisar os rendimentos de meros agregados familiares, como também conseguimos aplicar a lei para comparar e analisar a evolução do nível de rendimentos de regiões ou mesmo de países inteiros!

Ligações económicas
Falta-nos estabelecer as conexões entre esta lei e outros conhecimentos de Economia!
Ora, analisemos os conceitos que não são abordados em Economia A e que estão associados a esta teoria tão engenhosa (não te preocupes, são conhecimentos simples, intuitivos e com aplicações reais e práticas no quotidiano).
Começamos pela inelasticidade! Esta ideia consiste em admitir que existem certos bens ou serviços cuja procura (quantidade de bens que os compradores têm interesse em adquirir) não sofre grandes alterações pelo aumento ou diminuição do preço do bem, ou seja, os consumidores não ligam muito ao preço destes produtos. Estamos a falar (de certa forma) dos bens alimentícios.
O preço do pão não nos interessa muito porque precisamos dele na mesma e vamos ter de o adquirir na mesma. O caso da água é semelhante. Os serviços médicos de urgência são parecidos: ninguém vai decidir na ambulância, depois de ter tido uma complicação de saúde inesperada, regatear ou analisar o preço de um tratamento médico de urgência (penso eu).
Bens cuja procura é (algo) inelástica
Assim, a procura de bens alimentares é inelástica (até um certo ponto). No caso da Lei de Engel, falamos de uma inelasticidade relacionada com os rendimentos que nos diz, por exemplo, que não é por nos aumentarem os salários que vamos consumir muito mais pão ou água.
Outro dos conceitos que esta lei nos ensina é o de bens normais, inferiores e superiores, que é abordado de forma ligeira em Economia A. Talvez esta tabela te ajude a perceber:
| 1000 | 2000 | 3000 | |
| Bens Inferiores | 120 | 100 | 80 |
| Bens Normais | 50 | 100 | 150 |
| Bens Superiores | 20 | 100 | 180 |
Desta forma, os bens inferiores são bens que contrariam um pouco o senso comum (e a lei da procura) uma vez que a sua procura diminui com o aumento dos rendimentos dos consumidores. Os bens normais agem de forma natural, logo, o aumento ou diminuição dos rendimentos causam um aumento ou diminuição da procura do bem, respetivameente. Por fim, a procura de bens superiores aumenta mais que a de bens normais na eventualidade de um aumentos de rendimentos, como bens de luxo.
Imaginemos um bem de má qualidade que somos obrigados a adquirir por causa de uma crise económica, por exemplo. Um bem que ninguém goste de usar mas que, pelas más circunstâncias financeiras, somos obrigados a adquirir, pelo seu preço mais baixo. É fácil compreender que se os nossos rendimentos aumentarem, deixamos de adquirir esse bem: substituímo-lo por um bem similar mas que realmente gostemos de usar. Isto seria um bem inferior!
Pensemos no exemplo contrário: um bem superior. Produtos de luxo são, de facto, bens superiores que, quando temos baixos rendimentos, dispensamos. Todavia, à medida os nossos rendimentos aumentam, vamos ter cada vez mais possibilidades de os adquirir.
Estes conceitos complementam perfeitamente a Lei de Engel e expandem o nosso conhecimento económico.
Mas voltemos ao assunto que realmente está em risco de sair no teu exame nacional de Economia A: a Lei de Engel.
O que é que tens de saber sobre a Lei de Engel para o Exame?
O que temos de saber para o Exame Nacional?
Uma longa pesquisa foi feita em vosso nome. Quis saber quais são os conteúdos sobre esta matéria que saem regulamente no Exame. Aqui seguem essas informações:
Note-se que utilizámos as informações presentes nos critérios de correção dos exames, para que tenhas à tua disposição informação proveniente de fontes 100% seguras, neste caso, dos criadores do teu próximo exame, o IAVE.
Lei de Engel (tese)
Se te pedirem para referires a Lei de Engel, o que é improvável (a meu ver), o que tens de dizer?
“À medida que o rendimento das Famílias aumenta, vai decrescendo o peso das despesas em alimentação no total das despesas de consumo, aumentando, por sua vez, o peso das outras rubricas [e vice versa]”
IAVE
Consequências do Aumento de Rendimentos na Estrutura de Consumo
Um acréscimo do rendimento das famílias provoca normalmente:
- “O acréscimo do rendimento das famílias provoca, em geral, o aumento (do total) das despesas de consumo, considerando-se tudo o resto constante (ou considerando-se os preços constantes)”;
- “Redução do peso das despesas em alimentação relativamente ao total das despesas de consumo”;
- “Aumento do peso de outras rubricas no total das despesas de consumo”.
– IAVE
O contrário também se verifica.
Inverso da Lei de Engel
“Atendendo à Lei de Engel, perante a diminuição continuada do peso das despesas em alimentação e bebidas não alcoólicas, verificada num dado período, é possível inferir que o rendimento disponível das famílias terá aumentado. Isto é, a proporção das despesas em alimentação relativamente ao total das despesas de consumo é superior nas famílias com menores rendimentos” – IAVE
Poupança e Lei de Engel
Infelizmente, Engel não conseguiu expandir esta lei para a poupança. Posto isto, sempre que o IAVE ou o(a) teu(tua) professor(a) referir a poupança, deves ignorar (sob pena de errares o exercício)! A Lei de Engel aplica-se às despesas de consumo e não às despesas com poupança. Assim o peso da poupança no total do gasto de rendimentos deve ser ignorado. Considera apenas as despesas de consumo e lembra-te: a poupança não é consumo!
Boa Sorte!
Obrigado por apoiares o nosso projeto!







